{"id":9502,"date":"2024-12-27T12:04:50","date_gmt":"2024-12-27T15:04:50","guid":{"rendered":"https:\/\/tmarchives.com.br\/wp\/?page_id=9502"},"modified":"2024-12-27T12:06:24","modified_gmt":"2024-12-27T15:06:24","slug":"a-fe-de-jesus","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/tmarchives.com.br\/wp\/?page_id=9502","title":{"rendered":"A f\u00e9 de Jesus"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<a href='https:\/\/tmarchives.com.br\/wp\/pdf\/afedjesus.pdf' download='afedejesus.pdf' rel=\"noopener\"><figure class=\"wp-block-image alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/tmarchives.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/download-6155763_1280-1024x1024.png\" alt=\"Download\" title=\"Download\" class=\"wp-image-8533\" style=\"object-fit:cover;width:41px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/tmarchives.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/download-6155763_1280-1024x1024.png 1024w, https:\/\/tmarchives.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/download-6155763_1280-300x300.png 300w, https:\/\/tmarchives.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/download-6155763_1280-150x150.png 150w, https:\/\/tmarchives.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/download-6155763_1280-768x768.png 768w, https:\/\/tmarchives.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/download-6155763_1280.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><\/a>\n\n\n\n<a href='https:\/\/tmarchives.com.br\/wp\/pdf\/afedjesus.pdf' target='_Blank' rel=\"noopener\">\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-full\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"32\" height=\"32\" src=\"https:\/\/tmarchives.com.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/impressora.png\" alt=\"Abrir e Imprimir\"  title=\"Abrir e Imprimir\" class=\"wp-image-8529\"  style=\"object-fit:cover\"\/><\/figure><\/a>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"btn\"><b>Documento 196 do Livro de Ur\u00e2ntia<\/b><\/p>\n<h2>A F\u00e9 de Jesus<\/h2><br>\n<p id=\"U196_0_1\"><span class=\"btn\"><small><b>196:0.1 (2087.1)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;JESUS possu\u00eda uma f\u00e9 sublime, e de todo o cora\u00e7\u00e3o, em Deus. Ele experimentou os altos e baixos comuns da exist\u00eancia mortal, mas religiosamente nunca duvidou da certeza da vigil\u00e2ncia e do guiamento de Deus. A sua f\u00e9 era fruto do discernimento nascido da atividade da presen\u00e7a divina do seu Ajustador residente. A sua f\u00e9 n\u00e3o era nem tradicional nem meramente intelectual; era totalmente pessoal e puramente espiritual.<\/p>\n\n<p id=\"U196_0_2\"><span class=\"btn\"><small><b>196:0.2 (2087.2)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Jesus humano via Deus como sendo santo, justo e grande, assim como verdadeiro, belo e bom. Todos esses atributos da divindade, ele os focalizava na sua mente como a \u201cvontade do Pai no c\u00e9u\u201d. O Deus de Jesus era, ao mesmo tempo, \u201cO Santo de Israel\u201d e \u201cO Pai vivo e amoroso do c\u00e9u\u201d. O conceito de Deus, como um Pai, n\u00e3o foi original de Jesus, mas ele exaltou e elevou essa id\u00e9ia como uma experi\u00eancia sublime, realizando uma nova revela\u00e7\u00e3o de Deus e proclamando que todo ser mortal \u00e9 um filho desse Pai de amor, um filho de Deus.<\/p>\n\n<p id=\"U196_0_3\"><span class=\"btn\"><small><b>196:0.3 (2087.3)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Jesus n\u00e3o se apegou \u00e0 f\u00e9 em Deus como o faria uma alma que se debate em luta contra o universo, ou que se agarra \u00e0 luta de morte contra um mundo hostil e pecaminoso; ele n\u00e3o recorreu \u00e0 f\u00e9 meramente como uma consola\u00e7\u00e3o em meio a dificuldades, ou como um conforto em meio \u00e0 amea\u00e7a do desespero; a f\u00e9 n\u00e3o era apenas uma compensa\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria para as realidades desagrad\u00e1veis e os sofrimentos da vida. Ao enfrentar todas as dificuldades naturais e as contradi\u00e7\u00f5es temporais da exist\u00eancia mortal, ele experimentou a tranq\u00fcilidade da confian\u00e7a suprema e inquestion\u00e1vel em Deus e desfrutou a imensa emo\u00e7\u00e3o de viver, pela f\u00e9, na pr\u00f3pria presen\u00e7a do Pai celeste. E essa f\u00e9 triunfante foi uma experi\u00eancia viva de realiza\u00e7\u00e3o real do esp\u00edrito. A grande contribui\u00e7\u00e3o de Jesus para os valores da experi\u00eancia humana n\u00e3o foi de haver revelado tantas id\u00e9ias novas sobre o Pai no c\u00e9u, mas foi mais por ele haver, t\u00e3o magn\u00edfica e humanamente, demonstrado um tipo novo e mais elevado de f\u00e9 viva em Deus. Nunca, em todos os mundos deste universo, na vida de qualquer mortal, Deus tornou-se uma t\u00e3o viva realidade como na experi\u00eancia humana de Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n\n<p id=\"U196_0_4\"><span class=\"btn\"><small><b>96:0.4 (2087.4)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na vida do Mestre, em Ur\u00e2ntia, este e todos os outros mundos da cria\u00e7\u00e3o local descobriram um tipo novo e mais elevado de religi\u00e3o, baseada em rela\u00e7\u00f5es espirituais pessoais com o Pai Universal e totalmente validada pela autoridade suprema da experi\u00eancia pessoal genu\u00edna. Essa f\u00e9 viva de Jesus era mais do que uma reflex\u00e3o intelectual, e n\u00e3o era uma medita\u00e7\u00e3o m\u00edstica.<\/p>\n\n<p id=\"U196_0_5\"><span class=\"btn\"><small><b>196:0.5 (2087.5)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A teologia pode fixar, formular, definir e dogmatizar a f\u00e9, mas, na vida humana de Jesus, a f\u00e9 era pessoal, viva, original, espont\u00e2nea e puramente espiritual. Essa f\u00e9 n\u00e3o era uma rever\u00eancia \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, nem uma mera cren\u00e7a intelectual que ele mantinha como um credo sagrado, era mais uma experi\u00eancia sublime e uma convic\u00e7\u00e3o profunda mantendo-o em seguran\u00e7a. A sua f\u00e9 era t\u00e3o real e todo-inclusiva que varreu para longe, absolutamente, quaisquer d\u00favidas espirituais e destruiu efetivamente todos os desejos conflitantes. Nada foi capaz de afast\u00e1-lo de ancorar-se espiritualmente nessa f\u00e9 fervorosa, sublime e destemida. Mesmo na derrota aparente ou nas fortes dores do desapontamento e do desespero amea\u00e7ador, ele permaneceu calmamente na presen\u00e7a divina, livre de medo e totalmente consciente da invencibilidade espiritual. Jesus desfrutou da certeza revigorante da posse de uma f\u00e9 inflex\u00edvel e, em cada uma das situa\u00e7\u00f5es de prova\u00e7\u00e3o, demonstrou infalivelmente uma lealdade inquestion\u00e1vel \u00e0 vontade do Pai. E essa f\u00e9 magn\u00edfica n\u00e3o se intimidou, mesmo diante da amea\u00e7a cruel e esmagadora de uma morte ignominiosa.<\/p>\n\n<p id=\"U196_0_6\"><span class=\"btn\"><small><b>196:0.6 (2088.1)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em um g\u00eanio religioso, uma f\u00e9 espiritual muito forte, com freq\u00fc\u00eancia, leva diretamente ao fanatismo desastroso, ao exagero do ego religioso, mas n\u00e3o aconteceu assim com Jesus. Ele n\u00e3o foi afetado desfavoravelmente, na sua vida pr\u00e1tica, pela sua extraordin\u00e1ria f\u00e9 e pela realiza\u00e7\u00e3o espiritual, porque essa exalta\u00e7\u00e3o espiritual era uma express\u00e3o totalmente inconsciente e espont\u00e2nea, na sua alma, da sua experi\u00eancia pessoal com Deus.<\/p>\n\n<p id=\"U196_0_7\"><span class=\"btn\"><small><b>196:0.7 (2088.2)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A f\u00e9 espiritual ardente e indom\u00e1vel de Jesus nunca se tornou fan\u00e1tica, pois nunca chegou a afetar os seus julgamentos intelectuais equilibrados a respeito dos valores correspondentes das situa\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas e morais, pr\u00e1ticas e comuns da vida. O Filho do Homem foi uma personalidade humana esplendidamente unificada; foi um ser divino perfeitamente dotado; e era tamb\u00e9m magnificamente coordenado, como combina\u00e7\u00e3o de ser humano e divino, funcionando na Terra como uma personalidade \u00fanica. O Mestre sempre coordenava a f\u00e9 da alma com o ju\u00edzo da sabedoria da experi\u00eancia amadurecida. A f\u00e9 pessoal, a esperan\u00e7a espiritual e a devo\u00e7\u00e3o moral foram sempre correlacionadas em uma unidade religiosa, sem par, de associa\u00e7\u00e3o harmoniosa com a compreens\u00e3o profunda da realidade e da sacralidade de todas as lealdades humanas \u2014 a honra pessoal, o amor familiar, a obriga\u00e7\u00e3o religiosa, o dever social e a necessidade econ\u00f4mica.<\/p>\n\n<p id=\"U196_0_8\"><span class=\"btn\"><small><b>196:0.8 (2088.3)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A f\u00e9 de Jesus visualizou todos os valores do esp\u00edrito como sendo encontrados no Reino de Deus; e por isso ele disse: \u201cBuscai primeiro o Reino do c\u00e9u\u201d. Jesus viu, na fraternidade avan\u00e7ada e ideal do Reino, a realiza\u00e7\u00e3o e o cumprimento da \u201cvontade de Deus\u201d. A ess\u00eancia mesma da ora\u00e7\u00e3o que ele ensinou aos seus disc\u00edpulos foi: \u201cQue venha a n\u00f3s o vosso Reino; que a vossa vontade seja feita\u201d. E assim, tendo concebido o Reino como consistindo na vontade de Deus, ele devotou-se \u00e0 causa da sua realiza\u00e7\u00e3o com um auto-esquecimento espantoso e um entusiasmo incontido. Mas, durante toda a sua intensa miss\u00e3o e na sua vida extraordin\u00e1ria, a f\u00faria do fan\u00e1tico nunca esteve presente, nem a insignific\u00e2ncia, de fachada, do egotista religioso.<\/p>\n\n<p id=\"U196_0_9\"><span class=\"btn\"><small><b>196:0.9 (2088.4)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A vida inteira do Mestre foi condicionada, consistentemente, por essa f\u00e9 viva, por essa experi\u00eancia religiosa sublime. Essa atitude espiritual dominou totalmente o seu pensamento e o seu sentimento, a sua cren\u00e7a e a sua ora\u00e7\u00e3o, o seu ensinamento e a sua prega\u00e7\u00e3o. Essa f\u00e9 pessoal de um filho, na certeza e na seguran\u00e7a do guiamento e da prote\u00e7\u00e3o do Pai celeste, conferiu \u00e0 sua vida \u00fanica um dom profundo de realidade espiritual. E ainda, a despeito dessa profunda consci\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com a divindade, esse galileu, esse Galileu de Deus, quando era chamado de Bom Mestre, imediatamente dizia: \u201cPor que me chamais de bom?\u201d Quando n\u00f3s nos defrontamos com um auto-esquecimento t\u00e3o espl\u00eandido, come\u00e7amos a compreender como o Pai Universal achou poss\u00edvel manifestar, t\u00e3o plenamente, a Si pr\u00f3prio, nele e revelar-Se por meio dele aos mortais dos reinos.<\/p>\n\n<p id=\"U196_0_10\"><span class=\"btn\"><small><b>196:0.10 (2088.5)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Jesus levou a Deus, como homem deste reino, a maior de todas as oferendas: a consagra\u00e7\u00e3o e a dedica\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria vontade ao servi\u00e7o majestoso de fazer a vontade divina. Jesus sempre interpretou, e de um modo consistente, a religi\u00e3o, nos termos totais da vontade do Pai. Quando estudardes a carreira do Mestre, no que diz respeito \u00e0 prece ou a qualquer outro aspecto da vida religiosa, n\u00e3o procureis tanto o que ele ensinou, mas deveis procurar o que ele fez. Jesus nunca orou por dever religioso. Para ele, a prece foi uma express\u00e3o sincera da atitude espiritual, uma declara\u00e7\u00e3o de lealdade da alma, uma demonstra\u00e7\u00e3o da devo\u00e7\u00e3o pessoal, uma express\u00e3o da gratid\u00e3o, um modo de evitar a tens\u00e3o emocional, uma preven\u00e7\u00e3o para os conflitos, uma exalta\u00e7\u00e3o intelectiva, um enobrecimento do desejo, uma demonstra\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o moral, um enriquecimento do pensamento, um revigoramento das inclina\u00e7\u00f5es mais elevadas, uma consagra\u00e7\u00e3o do impulso, um esclarecimento de pontos de vista, uma declara\u00e7\u00e3o de f\u00e9, uma rendi\u00e7\u00e3o transcendental da vontade, uma afirma\u00e7\u00e3o sublime de confian\u00e7a, uma revela\u00e7\u00e3o de coragem, uma proclama\u00e7\u00e3o da descoberta, uma confiss\u00e3o de devo\u00e7\u00e3o suprema, uma valida\u00e7\u00e3o da consagra\u00e7\u00e3o, uma t\u00e9cnica de ajustamento das dificuldades e uma mobiliza\u00e7\u00e3o poderosa, dos poderes combinados da alma, para suportar todas as tend\u00eancias humanas de ego\u00edsmo, mal e pecado. Ele viveu exatamente uma vida na prece e na consagra\u00e7\u00e3o devotada a fazer a vontade do seu Pai e terminou a sua vida de modo triunfante, exatamente com uma dessas ora\u00e7\u00f5es. O segredo da sua vida religiosa sem par foi essa consci\u00eancia da presen\u00e7a de Deus; e ele a alcan\u00e7ou por meio da ora\u00e7\u00e3o inteligente e da adora\u00e7\u00e3o sincera \u2014 de comunh\u00e3o ininterrupta com Deus \u2014 e n\u00e3o por indica\u00e7\u00f5es, vozes, vis\u00f5es, nem por pr\u00e1ticas religiosas extraordin\u00e1rias.<\/p>\n\n<p id=\"U196_0_11\"><span class=\"btn\"><small><b>196:0.11 (2089.1)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na vida terrena de Jesus, a religi\u00e3o foi uma experi\u00eancia viva, um movimento direto e pessoal da rever\u00eancia espiritual \u00e0 pr\u00e1tica da retid\u00e3o. A f\u00e9 de Jesus deu frutos transcendentais do esp\u00edrito divino. A sua f\u00e9 n\u00e3o era imatura e cr\u00e9dula como a de uma crian\u00e7a, mas, sob muitos pontos de vista, ela assemelhou-se \u00e0 confian\u00e7a, sem suspeitas, da mente infantil. Jesus confiou em Deus, do mesmo modo que uma crian\u00e7a confia em um pai. Ele tinha uma profunda confian\u00e7a no universo \u2014 exatamente a confian\u00e7a que uma crian\u00e7a tem no ambiente dos seus pais. A f\u00e9 de Jesus, uma f\u00e9 de todo o cora\u00e7\u00e3o, na bondade fundamental do universo, em muito se assemelhou \u00e0 confian\u00e7a que a crian\u00e7a tem na seguran\u00e7a no seu meio ambiente terreno. Ele dependeu do Pai celeste, tal uma crian\u00e7a se ap\u00f3ia no seu pai terreno, e a sua f\u00e9 fervorosa nunca, nem por um momento, duvidou da certeza de que o Pai celeste velava por ele. Ele n\u00e3o se perturbava seriamente com temores, d\u00favidas e ceticismos. A descren\u00e7a n\u00e3o inibiu a express\u00e3o livre e original da sua vida. Ele combinou a coragem s\u00f3lida e inteligente de um homem amadurecido, com o otimismo sincero e crente de uma crian\u00e7a confiante. A sua f\u00e9 cresceu, alcan\u00e7ando um n\u00edvel t\u00e3o elevado de confian\u00e7a que era desprovida de temores.<\/p>\n\n<p id=\"U196_0_12\"><span class=\"btn\"><small><b>196:0.12 (2089.2)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A f\u00e9 de Jesus atingiu a pureza da confian\u00e7a de uma crian\u00e7a. A sua f\u00e9 foi t\u00e3o absoluta e desprovida de d\u00favidas que se fez sens\u00edvel ao encanto do contato com os companheiros e \u00e0s maravilhas do universo. O seu senso de depend\u00eancia do divino foi t\u00e3o completo e t\u00e3o confiante, que trouxe a alegria e a certeza de uma seguran\u00e7a pessoal absoluta. N\u00e3o houve nada de hesitante e simulado na sua experi\u00eancia religiosa. Nessa intelig\u00eancia gigantesca de um homem adulto, a f\u00e9 da crian\u00e7a reinou, suprema, em todas as quest\u00f5es relacionadas \u00e0 consci\u00eancia religiosa. N\u00e3o \u00e9 estranho que uma vez ele haja dito: \u201cSe n\u00e3o vos tornardes como crian\u00e7as pequenas, n\u00e3o entrareis no Reino\u201d. N\u00e3o obstante a f\u00e9 de Jesus ser como a de uma crian\u00e7a, n\u00e3o era infantil em nenhum sentido.<\/p>\n\n<p id=\"U196_0_13\"><span class=\"btn\"><small><b>196:0.13 (2089.3)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Jesus n\u00e3o exige que os seus disc\u00edpulos acreditem nele, mas que eles acreditem junto com ele, que acreditem na realidade do amor de Deus e, com toda a confian\u00e7a, que aceitem a certeza da seguran\u00e7a da filia\u00e7\u00e3o ao Pai celeste. O Mestre deseja que todos os seus seguidores compartilhem totalmente da sua f\u00e9 transcendente. Jesus, de um modo muito tocante, desafiou os seus seguidores, n\u00e3o apenas a acreditarem naquilo em que ele acreditava, mas tamb\u00e9m a acreditarem como ele acreditava. Esta \u00e9 a significa\u00e7\u00e3o plena da sua \u00fanica e suprema exig\u00eancia: \u201cSiga-me\u201d.<\/p>\n\n<p id=\"U196_0_14\"><span class=\"btn\"><small><b>196:0.14 (2090.1)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A vida terrena de Jesus foi devotada a um grande prop\u00f3sito \u2014 fazer a vontade do Pai, viver a vida humana, religiosamente e pela f\u00e9. A f\u00e9 de Jesus foi confiante como a de uma crian\u00e7a, mas sem a menor presun\u00e7\u00e3o. Ele tomou decis\u00f5es firmes e viris, enfrentou corajosamente m\u00faltiplas decep\u00e7\u00f5es, com resolu\u00e7\u00e3o suplantou dificuldades extraordin\u00e1rias e cumpriu de modo inabal\u00e1vel os rudes requisitos do dever. Foi necess\u00e1ria uma vontade forte e uma confian\u00e7a firme para acreditar no que Jesus acreditava, e como ele acreditava.<\/p>\n\n<h2 id=\"U196_1_0\">1. Jesus \u2014 O Homem<\/h2>\n<p id=\"U196_1_1\"><span class=\"btn\"><small><b>196:1.1 (2090.2)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A devo\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e0 vontade do Pai, e ao servi\u00e7o do homem, representou mais do que a decis\u00e3o mortal e a determina\u00e7\u00e3o humana; foi uma consagra\u00e7\u00e3o, de todo o seu cora\u00e7\u00e3o, \u00e0 outorga de um amor sem reservas. N\u00e3o importa qu\u00e3o grande seja o fato da soberania de Michael, v\u00f3s n\u00e3o deveis privar os homens do Jesus humano. O Mestre ascendeu ao alto como um homem, tanto quanto um Deus; ele pertence aos homens; e os homens pertencem a ele. Que pena que a pr\u00f3pria religi\u00e3o fosse ser t\u00e3o mal interpretada a ponto de esconder dos mortais atribulados o Jesus humano! Que as discuss\u00f5es sobre a humanidade ou sobre a divindade do Cristo n\u00e3o obscure\u00e7am a verdade salvadora de que Jesus de Nazar\u00e9 foi um homem religioso que, pela f\u00e9, chegou a conhecer e a fazer a vontade de Deus; ele foi o homem mais religioso que j\u00e1 viveu em Ur\u00e2ntia.<\/p>\n\n<p id=\"U196_1_2\"><span class=\"btn\"><small><b>196:1.2 (2090.3)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os tempos amadureceram o suficiente, a ponto de se poder constatar a ressurrei\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do Jesus humano, saindo do seu t\u00famulo, dentre as tradi\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas e os dogmas religiosos de dezenove s\u00e9culos. Jesus de Nazar\u00e9 n\u00e3o deve mais ser sacrificado, nem mesmo ao conceito espl\u00eandido do Cristo glorificado. Que servi\u00e7o transcendente seria prestado se, por interm\u00e9dio dessa revela\u00e7\u00e3o, o Filho do Homem fosse retirado do t\u00famulo da teologia tradicional para ser apresentado como o Jesus vivo, \u00e0 igreja que leva o seu nome, e para todas as outras religi\u00f5es! Seguramente a irmandade crist\u00e3 de crentes n\u00e3o hesitaria em fazer os ajustes de f\u00e9, e de pr\u00e1ticas de vida, que a capacitassem a poder \u201cseguir o\u201d Mestre na demonstra\u00e7\u00e3o da sua vida verdadeira de devo\u00e7\u00e3o religiosa, a fazer a vontade do seu Pai, e \u00e0 consagra\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o desinteressado dos homens. Ser\u00e1 que aqueles que chamam a si de crist\u00e3os professos temem criar uma irmandade auto-suficiente e de respeitabilidade social n\u00e3o consagrada, ser\u00e1 que temem o desajuste econ\u00f4mico ego\u00edsta? Acaso a cristandade institucionalizada teme que a autoridade eclesi\u00e1stica tradicional esteja em perigo, ou mesmo que seja arruinada, se o Jesus da Galil\u00e9ia for restabelecido nas mentes e nas almas dos homens mortais, como o ideal de vida religiosa pessoal? Em verdade, os reajustes sociais, as transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, o rejuvenescimento moral e as revis\u00f5es religiosas da civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 seriam dr\u00e1sticas e revolucion\u00e1rias se a religi\u00e3o viva de Jesus pudesse subitamente suplantar a religi\u00e3o teol\u00f3gica sobre Jesus.<\/p>\n\n<p id=\"U196_1_3\"><span class=\"btn\"><small><b>196:1.3 (2090.4)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;\u201cSeguir Jesus\u201d significa compartilhar pessoalmente a f\u00e9 religiosa dele e entrar no esp\u00edrito da vida do Mestre, consagrada ao servi\u00e7o desinteressado dos homens. Uma das coisas mais importantes, na vida humana, \u00e9 encontrar aquilo em que Jesus acreditava, \u00e9 descobrir seus ideais e lutar para a realiza\u00e7\u00e3o do seu prop\u00f3sito elevado de vida. De todo o conhecimento humano, o que \u00e9 de maior valor \u00e9 poder conhecer a vida religiosa de Jesus e como ele viveu-a.<\/p>\n\n<p id=\"U196_1_4\"><span class=\"btn\"><small><b>196:1.4 (2090.5)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;O povo comum ouviu Jesus com alegria, e ser\u00e1 de novo sens\u00edvel \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o da sua vida humana sincera de motiva\u00e7\u00e3o religiosa consagrada, se essas verdades forem novamente proclamadas ao mundo. O povo ouvia-o com alegria porque ele era um deles, um leigo despretensioso; o maior de todos os instrutores religiosos foi, em verdade, um leigo.<\/p>\n\n<p id=\"U196_1_5\"><span class=\"btn\"><small><b>196:1.5 (2091.1)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;N\u00e3o deveria ser a meta dos crentes do Reino imitar literalmente os aspectos exteriores da vida de Jesus na carne, mas sim compartilhar a sua f\u00e9; confiar em Deus como ele confiou em Deus e acreditar nos homens como ele acreditou nos homens. Jesus nunca discutiu, fosse sobre a paternidade de Deus, fosse sobre a irmandade dos homens; ele foi uma ilustra\u00e7\u00e3o viva da primeira, e uma comprova\u00e7\u00e3o profunda da segunda.<\/p>\n\n<p id=\"U196_1_6\"><span class=\"btn\"><small><b>196:1.6 (2091.2)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Exatamente como os homens devem progredir, da consci\u00eancia do humano \u00e0 compreens\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o do divino, assim Jesus ascendeu, desde a natureza de homem \u00e0 consci\u00eancia da natureza de Deus. E o Mestre fez essa grande ascens\u00e3o, do humano ao divino, por meio da realiza\u00e7\u00e3o conjunta da f\u00e9 do seu intelecto mortal e dos atos do seu Ajustador residente. A compreens\u00e3o factual do alcan\u00e7ar da totalidade da divindade (ao mesmo tempo plenamente consciente da realidade da sua humanidade) foi acompanhada de sete est\u00e1gios de consci\u00eancia da f\u00e9 de diviniza\u00e7\u00e3o progressiva. Esses est\u00e1gios de auto-realiza\u00e7\u00e3o progressiva ficaram marcados pelos acontecimentos extraordin\u00e1rios seguintes, na experi\u00eancia de auto-outorga do Mestre:<\/p>\n\n<p id=\"U196_1_7\"><span class=\"btn\"><small><b>196:1.7 (2091.3)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;1. A chegada do Ajustador do Pensamento.<\/p>\n\n<p id=\"U196_1_8\"><span class=\"btn\"><small><b>196:1.8 (2091.4)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;2. O mensageiro de Emanuel, que apareceu para ele em Jerusal\u00e9m quando ele tinha cerca de doze anos de idade.<\/p>\n\n<p id=\"U196_1_9\"><span class=\"btn\"><small><b>196:1.9 (2091.5)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;3. As manifesta\u00e7\u00f5es que acompanharam o seu batismo.<\/p>\n\n<p id=\"U196_1_10\"><span class=\"btn\"><small><b>196:1.10 (2091.6)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;4. As experi\u00eancias no monte da Transfigura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p id=\"U196_1_11\"><span class=\"btn\"><small><b>196:1.11 (2091.7)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;5. A ressurrei\u00e7\u00e3o moroncial.<\/p>\n\n<p id=\"U196_1_12\"><span class=\"btn\"><small><b>196:1.12 (2091.8)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;6. A ascens\u00e3o espiritual.<\/p>\n\n<p id=\"U196_1_13\"><span class=\"btn\"><small><b>196:1.13 (2091.9)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;7. O abra\u00e7o final do Pai do Para\u00edso, conferindo-lhe a soberania ilimitada do seu universo.<\/p>\n\n<h2 id=\"U196_2_0\">2. A Religi\u00e3o de Jesus<\/h2>\n<p id=\"U196_2_1\"><span class=\"btn\"><small><b>196:2.1 (2091.10)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Algum dia, uma reforma na igreja crist\u00e3 poder\u00e1 causar um impacto suficientemente profundo de retomada dos ensinamentos religiosos inalterados de Jesus, o autor, a fonte e a realiza\u00e7\u00e3o da nossa f\u00e9. V\u00f3s podeis pregar uma religi\u00e3o sobre Jesus, mas, por for\u00e7a, v\u00f3s deveis viver a religi\u00e3o de Jesus. No entusiasmo de Pentecostes, Pedro inaugurou involuntariamente uma nova religi\u00e3o, a religi\u00e3o do Cristo ressuscitado e glorificado. Mais tarde, o ap\u00f3stolo Paulo transformou esse novo evangelho no cristianismo, uma religi\u00e3o que incorporava as suas pr\u00f3prias vis\u00f5es teol\u00f3gicas e que retratava a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia pessoal com o Jesus da estrada de Damasco. A boa-nova do evangelho do Reino fundamenta-se na experi\u00eancia religiosa pessoal do Jesus da Galil\u00e9ia; o cristianismo baseia-se quase que exclusivamente na experi\u00eancia religiosa pessoal do ap\u00f3stolo Paulo. A quase totalidade do Novo Testamento \u00e9 devotada, n\u00e3o a retratar a vida religiosa, significativa e inspiradora, de Jesus, mas a uma discuss\u00e3o da experi\u00eancia religiosa de Paulo e a um retrato das suas convic\u00e7\u00f5es religiosas pessoais. As \u00fanicas exce\u00e7\u00f5es not\u00e1veis, dentro dessa afirma\u00e7\u00e3o, afora certas partes de Mateus, de Marcos e de Lucas, s\u00e3o o Livro dos Hebreus e a Ep\u00edstola de Tiago. Mesmo Pedro, nos seus escritos, apenas uma vez reflete a vida pessoal religiosa do seu Mestre. O Novo Testamento pode ser um documento crist\u00e3o espl\u00eandido, mas \u00e9 um documento que pouco tem de Jesus.<\/p>\n\n<p id=\"U196_2_2\"><span class=\"btn\"><small><b>196:2.2 (2091.11)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A vida de Jesus na carne retrata um crescimento religioso transcendente, desde as id\u00e9ias iniciais do pavor primitivo e da rever\u00eancia humana, passando por anos de comunh\u00e3o espiritual pessoal, at\u00e9 que ele finalmente chegue \u00e0quele estado avan\u00e7ado e elevado de consci\u00eancia da sua unidade com o Pai. E assim, em uma curta vida, Jesus passou por aquela experi\u00eancia religiosa de progresso espiritual que o homem come\u00e7a, na Terra, e que comumente completa apenas ao concluir a sua longa perman\u00eancia nas escolas de aprendizado espiritual, nos n\u00edveis sucessivos da sua carreira pr\u00e9-paradis\u00edaca. Jesus progrediu, partindo de uma consci\u00eancia puramente humana, das certezas da f\u00e9 da experi\u00eancia religiosa pessoal, at\u00e9 as alturas espirituais sublimes da realiza\u00e7\u00e3o efetiva da sua natureza divina e, da\u00ed, para a consci\u00eancia da sua associa\u00e7\u00e3o \u00edntima com o Pai Universal, a fim de dirigir um universo. Ele progrediu do status humilde, de depend\u00eancia mortal, que o levou espontaneamente a dizer \u00e0quele que o chamou de Bom Mestre: \u201cPor que me chamais de bom? Ningu\u00e9m \u00e9 bom a n\u00e3o ser Deus\u201d, at\u00e9 aquele estado sublime de consci\u00eancia, da divindade realizada que o levou a exclamar: \u201cQual dentre v\u00f3s me sentencia de haver pecado?\u201d E essa ascens\u00e3o progressiva, do humano ao divino, foi uma realiza\u00e7\u00e3o exclusivamente mortal. E quando havia alcan\u00e7ado a divindade, assim, ele era ainda o mesmo Jesus humano, o Filho do Homem, tanto quanto o Filho de Deus.<\/p>\n\n<p id=\"U196_2_3\"><span class=\"btn\"><small><b>196:2.3 (2092.1)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Marcos, Mateus e Lucas guardam alguma coisa do quadro do Jesus humano lan\u00e7ando-se na luta magn\u00edfica para determinar a vontade divina e para cumprir essa vontade. Jo\u00e3o apresenta um quadro do Jesus triunfante, caminhando na Terra, na consci\u00eancia plena da divindade. O grande erro, cometido por aqueles que estudaram a vida do Mestre, \u00e9 que alguns o conceberam como inteiramente humano, enquanto outros o consideraram apenas como divino. Durante toda a sua experi\u00eancia ele foi, em verdade, tanto humano quanto divino; como ainda agora o \u00e9.<\/p>\n\n<p id=\"U196_2_4\"><span class=\"btn\"><small><b>196:2.4 (2092.2)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mas o maior erro cometido consta de que, enquanto ficou reconhecido que o Jesus humano possu\u00eda uma religi\u00e3o, o Jesus divino (Cristo) transformou-se em uma religi\u00e3o, quase que da noite para o dia. O cristianismo, de Paulo, assegurou a adora\u00e7\u00e3o do Cristo divino, mas quase totalmente perdeu de vista o valente Jesus da Galil\u00e9ia, humano, que lutou pelo valor da sua f\u00e9 religiosa pessoal, e o hero\u00edsmo do seu Ajustador residente, que ascendeu do n\u00edvel inferior da humanidade para tornar-se um com a divindade, transformando-se, assim, no novo caminho vivo pelo qual todos os mortais podem ascender, dessa forma, da humanidade \u00e0 divindade. Os mortais, em todos os est\u00e1gios de espiritualidade e em todos os mundos, podem encontrar, na vida pessoal de Jesus, tudo que os fortalecer\u00e1 e inspirar\u00e1, no seu progresso do n\u00edvel espiritual mais baixo, at\u00e9 os valores divinos mais elevados, do come\u00e7o ao fim de toda a experi\u00eancia religiosa pessoal.<\/p>\n\n<p id=\"U196_2_5\"><span class=\"btn\"><small><b>196:2.5 (2092.3)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na \u00e9poca em que foi escrito o Novo Testamento, os autores n\u00e3o apenas acreditavam muito profundamente na divindade do Cristo ressuscitado, como tamb\u00e9m acreditavam, devota e sinceramente, no seu retorno imediato \u00e0 Terra, para consumar o Reino celeste. Esta f\u00e9 fortalecida, no retorno imediato do Senhor, teve muito a ver com a tend\u00eancia de omitir, nos registros, aquelas refer\u00eancias que retratavam as experi\u00eancias e os atributos puramente humanos do Mestre. Todo o movimento crist\u00e3o teve a tend\u00eancia de afastar-se do retrato humano de Jesus de Nazar\u00e9, orientando-se para a exalta\u00e7\u00e3o do Cristo ressuscitado, o Senhor Jesus Cristo glorificado, e que em breve retornaria.<\/p>\n\n<p id=\"U196_2_6\"><span class=\"btn\"><small><b>196:2.6 (2092.4)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Jesus fundou a religi\u00e3o da experi\u00eancia pessoal, ao fazer a vontade de Deus e ao servir \u00e0 irmandade humana; Paulo fundou uma religi\u00e3o na qual o Jesus glorificado tornou-se o objeto da adora\u00e7\u00e3o, e a irmandade consistiu nos irm\u00e3os que eram crentes do Cristo divino. Na d\u00e1diva outorgada por Jesus, esses dois conceitos eram potenciais na sua vida divino-humana e, em verdade, \u00e9 uma pena que os seus seguidores n\u00e3o houvessem conseguido criar uma religi\u00e3o unificada, que poderia ter dado um reconhecimento pr\u00f3prio a ambas, \u00e0 natureza humana e \u00e0 natureza divina do Mestre, tal como estavam inseparavelmente ligadas na sua vida terrena e t\u00e3o gloriosamente expostas no evangelho original do Reino.<\/p>\n\n<p id=\"U196_2_7\"><span class=\"btn\"><small><b>196:2.7 (2093.1)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;V\u00f3s n\u00e3o ficar\u00edeis, nem chocados, nem perturbados pelos fortes pronunciamentos de Jesus; e para isso basta que vos lembreis de que ele foi o religioso mais devotado, e de todo o seu cora\u00e7\u00e3o, em todo o mundo. Ele era um mortal totalmente consagrado e dedicado, sem reservas, a fazer a vontade do seu Pai. Muitas das suas afirma\u00e7\u00f5es, aparentemente duras, eram mais como uma confiss\u00e3o pessoal de f\u00e9 e uma promessa de devo\u00e7\u00e3o, do que comandos dados para os seus seguidores. E foi essa mesma singularidade de prop\u00f3sito, e de devo\u00e7\u00e3o n\u00e3o-ego\u00edsta, que o capacitou a efetivar um progresso, t\u00e3o extraordin\u00e1rio, na conquista da mente humana, em uma vida t\u00e3o curta. Muitas das suas declara\u00e7\u00f5es deveriam ser consideradas como confiss\u00f5es do que ele exigia de si pr\u00f3prio, em vez de uma exig\u00eancia para todos os seus seguidores. Na sua devo\u00e7\u00e3o \u00e0 causa do Reino, Jesus queimou todas as pontes atr\u00e1s de si; ele sacrificou tudo o que pudesse ser um obst\u00e1culo para a realiza\u00e7\u00e3o da vontade do seu Pai.<\/p>\n\n<p id=\"U196_2_8\"><span class=\"btn\"><small><b>196:2.8 (2093.2)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Jesus aben\u00e7oava os pobres, porque em geral eles eram sinceros e pios; ele condenava os ricos, porque em geral eram devassos e irreligiosos. Ele condenaria igualmente os pobres irreligiosos e louvaria os ricos consagrados e pios.<\/p>\n\n<p id=\"U196_2_9\"><span class=\"btn\"><small><b>196:2.9 (2093.3)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Jesus fez os homens sentirem-se, no mundo, como se estivessem em casa; ele os libertou do tabu escravizador e ensinou a eles que o mundo n\u00e3o \u00e9 fundamentalmente mau. Ele n\u00e3o almejou escapar da sua vida terrestre; ele dominou uma t\u00e9cnica de fazer a vontade do Pai de um modo aceit\u00e1vel, enquanto na carne. Ele atingiu uma vida religiosa idealista, em meio, mesmo, a um mundo realista. Jesus n\u00e3o partilhou da vis\u00e3o pessimista que Paulo tinha da humanidade. O Mestre via os homens como filhos de Deus e anteviu um futuro magn\u00edfico e eterno para aqueles que escolhiam sobreviver. Ele n\u00e3o foi um c\u00e9tico moral; ele via o homem positivamente, n\u00e3o negativamente. Ele via a maioria dos homens como fracos, mais do que como perversos, mais como perturbados do que depravados. Mas, n\u00e3o importando o status deles, eram todos filhos de Deus e irm\u00e3os seus.<\/p>\n\n<p id=\"U196_2_10\"><span class=\"btn\"><small><b>196:2.10 (2093.4)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ele ensinou os homens a dar um elevado valor a si pr\u00f3prios, no tempo e na eternidade. Por causa da estima elevada, que tinha pelos homens, Jesus estava disposto a dedicar-se ao servi\u00e7o ininterrupto da humanidade. E foi esse infinito apre\u00e7o ao finito, o que fez da regra de ouro um fator vital na sua religi\u00e3o. Que mortal deixaria de se elevar pela f\u00e9 extraordin\u00e1ria que Jesus tinha nele?<\/p>\n\n<p id=\"U196_2_11\"><span class=\"btn\"><small><b>196:2.11 (2093.5)<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Jesus n\u00e3o prop\u00f4s regras para o avan\u00e7o social; a sua miss\u00e3o era religiosa; e a religi\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia exclusivamente individual. A \u00faltima meta, e de realiza\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ada da sociedade, n\u00e3o pode esperar nunca transcender a fraternidade que Jesus ofereceu aos homens: baseando-a no reconhecimento da paternidade de Deus. O ideal de toda a realiza\u00e7\u00e3o social apenas pode ser cumprido com a vinda deste Reino divino.<\/p>\n\n<h2 id=\"U196_3_0\">3. A Supremacia da Religi\u00e3o<\/h2>\n<p id=\"U196_3_1\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.1 (2093.6))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A experi\u00eancia espiritual religiosa pessoal \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o eficiente para a maior parte das dificuldades mortais; ela seleciona, avalia e ajusta eficazmente todos os problemas humanos. A religi\u00e3o n\u00e3o remove, nem destr\u00f3i os problemas humanos, mas dissolve-os, absorve-os, ilumina-os e transcende-os. A verdadeira religi\u00e3o unifica a personalidade, preparando-a para ajustar efetivamente todas as exig\u00eancias mortais. A f\u00e9 religiosa \u2014 o guiamento efetivo da presen\u00e7a divina residente \u2014 capacita, infalivelmente, o homem sabedor de Deus a lan\u00e7ar uma ponte sobre o abismo existente entre a l\u00f3gica intelectual que reconhece a Primeira Causa Universal como sendo um Isso, de um lado, e aquelas afirma\u00e7\u00f5es efetivas da alma que declaram que essa Primeira Causa \u00e9 Ele, o Pai Universal do evangelho de Jesus, o Deus pessoal da salva\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_2\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.2 (2094.1))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;H\u00e1 apenas tr\u00eas elementos na realidade universal: o fato, a id\u00e9ia e a rela\u00e7\u00e3o. A consci\u00eancia religiosa identifica essas realidades como ci\u00eancia, filosofia e verdade. A consci\u00eancia filos\u00f3fica estaria inclinada a ver essas atividades como raz\u00e3o, sabedoria e f\u00e9 \u2014 a realidade f\u00edsica, a realidade intelectual e a realidade espiritual. O nosso h\u00e1bito \u00e9 designar essas realidades como coisa, significado e valor.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_3\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.3 (2094.2))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A compreens\u00e3o progressiva da realidade \u00e9 equivalente a uma aproxima\u00e7\u00e3o de Deus. A descoberta de Deus, a consci\u00eancia da identidade com a realidade, \u00e9 equivalente \u00e0 experi\u00eancia do eu completo, da inteireza do eu, da totalidade do eu. Experienciar a realidade total \u00e9 a compreens\u00e3o-realiza\u00e7\u00e3o plena de Deus, a finalidade da experi\u00eancia de conhecer a Deus.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_4\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.4 (2094.3))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A somat\u00f3ria total da vida humana \u00e9 o conhecimento de que o homem \u00e9 educado pelo fato, enobrecido pela sabedoria e salvo \u2014 justificado \u2014 pela f\u00e9 religiosa.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_5\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.5 (2094.4))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A certeza f\u00edsica consiste na l\u00f3gica da ci\u00eancia; a certeza moral, na sabedoria da filosofia; a certeza espiritual, na verdade da experi\u00eancia religiosa aut\u00eantica.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_6\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.6 (2094.5))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A mente do homem pode alcan\u00e7ar altos n\u00edveis de discernimento espiritual, e esferas correspondentes de divindade de valores, porque ela n\u00e3o \u00e9 totalmente material. H\u00e1 um n\u00facleo espiritual na mente do homem \u2014 o Ajustador, de presen\u00e7a divina. H\u00e1 tr\u00eas evid\u00eancias distintas de que esse esp\u00edrito reside na mente humana:<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_7\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.7 (2094.6))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;1. A comunh\u00e3o humanit\u00e1ria \u2014 o amor. A mente puramente animal pode ser greg\u00e1ria por autoprote\u00e7\u00e3o, mas apenas o intelecto residido pelo esp\u00edrito \u00e9 altru\u00edsta, de um modo n\u00e3o-ego\u00edsta, e ama incondicionalmente.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_8\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.8 (2094.7))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;2. A interpreta\u00e7\u00e3o do universo \u2014 a sabedoria. Apenas a mente residida pelo esp\u00edrito pode compreender que o universo \u00e9 amig\u00e1vel para com o indiv\u00edduo.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_9\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.9 (2094.8))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;3. A avalia\u00e7\u00e3o espiritual da vida \u2014 a adora\u00e7\u00e3o. Apenas o homem residido pelo esp\u00edrito pode compreender-realizar a presen\u00e7a divina e buscar atingir uma experi\u00eancia mais plena a partir desse gosto antecipado de divindade.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_10\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.10 (2094.9))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A mente humana n\u00e3o cria valores reais; a experi\u00eancia humana n\u00e3o gera o discernimento universal. Quanto a esse discernimento, o reconhecimento dos valores morais e o discernimento dos significados espirituais, tudo o que a mente humana pode fazer \u00e9 descobrir, reconhecer, interpretar e escolher.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_11\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.11 (2094.10))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os valores morais do universo tornam-se uma posse intelectual, pelo exerc\u00edcio dos tr\u00eas julgamentos b\u00e1sicos, ou escolhas, da mente mortal:<\/p><br>\n\n<p id=\"U196_3_12\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.12 (2094.11))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;1. O autojulgamento \u2014 a escolha moral.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_13\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.13 (2094.12))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;2. O julgamento social \u2014 a escolha \u00e9tica.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_14\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.14 (2094.13))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;3. O julgamento de Deus \u2014 a escolha religiosa.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_15\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.15 (2094.14))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Assim, parece que todo o progresso \u00e9 efetuado por uma t\u00e9cnica conjunta de evolu\u00e7\u00e3o revelacional.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_16\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.16 (2094.15))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Se um amante divino n\u00e3o vivesse no homem, ele n\u00e3o poderia amar generosa e espiritualmente. Se um int\u00e9rprete n\u00e3o vivesse na mente do homem, ele n\u00e3o poderia verdadeiramente compenetrar-se da unidade do universo. Se um bom avaliador n\u00e3o residisse dentro do homem, ele possivelmente n\u00e3o poderia apreciar os valores morais e reconhecer os significados espirituais. E esse amante prov\u00e9m da fonte mesma do amor infinito; aquele int\u00e9rprete \u00e9 uma parte da Unidade Universal; e o avaliador \u00e9 filho do Centro e Fonte de todos os valores absolutos da realidade divina e eterna.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_17\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.17 (2095.1))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A avalia\u00e7\u00e3o moral, daquilo que tem um significado religioso \u2014 o discernimento espiritual \u2014 , denota a escolha do indiv\u00edduo entre o bem e o mal, a verdade e o erro, o material e o espiritual, o humano e o divino, o tempo e a eternidade. A sobreviv\u00eancia humana \u00e9, em uma grande medida, dependente da consagra\u00e7\u00e3o da vontade humana \u00e0 escolha daqueles valores destacados por esse selecionador- de-valores-espirituais \u2014 o int\u00e9rprete e unificador residente. A experi\u00eancia religiosa pessoal consiste de duas fases: a descoberta, na mente humana, e a revela\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito divino residente. Por meio de uma supersofistica\u00e7\u00e3o ou como resultado da conduta irreligiosa de pretensos religiosos, um homem, ou mesmo uma gera\u00e7\u00e3o de homens, pode escolher suspender os seus esfor\u00e7os para descobrir o Deus que reside neles; eles podem deixar de progredir e de alcan\u00e7ar a revela\u00e7\u00e3o divina. Mas tais atitudes, de n\u00e3o-progress\u00e3o espiritual, n\u00e3o podem perdurar por muito tempo, por causa da presen\u00e7a e da influ\u00eancia do Ajustador do Pensamento residente.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_18\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.18 (2095.2))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Essa experi\u00eancia profunda, com a realidade do residente divino, transcende, para sempre, a rude t\u00e9cnica materialista das ci\u00eancias f\u00edsicas. V\u00f3s n\u00e3o podeis colocar a alegria espiritual sob a observa\u00e7\u00e3o de um microsc\u00f3pio; v\u00f3s n\u00e3o podeis pesar o amor em uma balan\u00e7a; v\u00f3s n\u00e3o podeis medir os valores morais; nem podeis estimar a qualidade da adora\u00e7\u00e3o espiritual.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_19\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.19 (2095.3))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os hebreus possu\u00edam uma religi\u00e3o de sublimidade moral; os gregos fizeram evoluir uma religi\u00e3o da beleza; Paulo e os seus confrades fundaram uma religi\u00e3o de f\u00e9, de esperan\u00e7a e de caridade. Jesus revelou e exemplificou uma religi\u00e3o de amor: a seguran\u00e7a no amor do Pai, com alegria e satisfa\u00e7\u00e3o conseq\u00fcentes de compartilhar esse amor no servi\u00e7o da fraternidade humana.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_20\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.20 (2095.4))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Toda vez que faz uma escolha moral de reflex\u00e3o, o homem experiencia imediatamente uma nova invas\u00e3o divina na sua alma. A escolha moral \u00e9 parte da religi\u00e3o, como motivo de resposta interna \u00e0s condi\u00e7\u00f5es externas. E essa religi\u00e3o real n\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia puramente subjetiva. Ela significa o conjunto da subjetividade do indiv\u00edduo, empenhado em uma resposta significativa e inteligente \u00e0 objetividade total \u2014 o universo e o seu Criador.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_21\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.21 (2095.5))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A experi\u00eancia extraordin\u00e1ria e transcendente de amar e de ser amado n\u00e3o \u00e9 apenas uma ilus\u00e3o ps\u00edquica, porque \u00e9 t\u00e3o puramente subjetiva. A \u00fanica realidade verdadeiramente divina e objetiva, que \u00e9 associada aos seres mortais, o Ajustador do Pensamento, funciona para a observa\u00e7\u00e3o humana, aparentemente, como um fen\u00f4meno exclusivamente subjetivo. O contato do homem com a realidade objetiva mais elevada, de Deus, d\u00e1-se apenas por interm\u00e9dio da experi\u00eancia puramente subjetiva de conhec\u00ea-Lo, de ador\u00e1-Lo, de realizar a filia\u00e7\u00e3o a Ele.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_22\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.22 (2095.6))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A verdadeira adora\u00e7\u00e3o religiosa n\u00e3o \u00e9 um mon\u00f3logo f\u00fatil de auto-engana\u00e7\u00e3o. A adora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma comunica\u00e7\u00e3o pessoal com o que \u00e9 divinamente real, com aquilo que \u00e9 a fonte mesma da realidade. Por interm\u00e9dio da adora\u00e7\u00e3o, o homem aspira a ser melhor e por meio dela finalmente ele alcan\u00e7a o melhor.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_23\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.23 (2095.7))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A idealiza\u00e7\u00e3o da verdade, da beleza, da bondade, e o servi\u00e7o prestado a estas, n\u00e3o s\u00e3o substitutos para a experi\u00eancia religiosa genu\u00edna \u2014 a realidade espiritual. A psicologia e o idealismo n\u00e3o equivalem \u00e0 realidade religiosa. As proje\u00e7\u00f5es feitas pelo intelecto humano podem de fato originar deuses falsos \u2014 deuses \u00e0 imagem do homem \u2014 , mas a verdadeira consci\u00eancia de Deus n\u00e3o tem tal origem. A consci\u00eancia de Deus habita em n\u00f3s, na presen\u00e7a do esp\u00edrito residente. Muitos dos sistemas religiosos do homem v\u00eam de formula\u00e7\u00f5es do intelecto humano, mas a consci\u00eancia de Deus n\u00e3o vem necessariamente como uma parte de sistemas grotescos de escravid\u00e3o religiosa.<\/p><br>\n\n<p id=\"U196_3_24\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.24 (2095.8))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;Deus n\u00e3o \u00e9 uma mera inven\u00e7\u00e3o do idealismo do homem; Ele \u00e9 a fonte mesma de todos os discernimentos e valores supra-animais. Deus n\u00e3o \u00e9 uma hip\u00f3tese formulada para unificar os conceitos humanos da verdade, da beleza e da bondade; Ele \u00e9 a personalidade de amor, de Quem se derivam todas essas manifesta\u00e7\u00f5es do universo. A verdade, a beleza e a bondade no mundo do homem s\u00e3o unificadas pela espiritualidade crescente da experi\u00eancia dos mortais que ascendem \u00e0s realidades do Para\u00edso. A unidade na verdade, na beleza e na bondade s\u00f3 pode ser realizada na experi\u00eancia espiritual da personalidade conhecedora de Deus.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_25\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.25 (2096.1))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A moralidade \u00e9 o solo preexistente essencial, da consci\u00eancia pessoal de Deus; \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o pessoal da presen\u00e7a interna do Ajustador, mas essa moralidade n\u00e3o \u00e9, nem a fonte da experi\u00eancia religiosa, nem o discernimento espiritual resultante. A natureza moral \u00e9 supra-animal, mas \u00e9 subespiritual. A moralidade \u00e9 equivalente ao reconhecimento do dever, \u00e0 compreens\u00e3o-realiza\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia do certo e do errado. A zona moral que se interp\u00f5e entre o tipo de mente animal e os tipos humanos de mente, como a moroncial, funciona entre a esfera material e a espiritual de realiza\u00e7\u00e3o da personalidade.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_26\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.26 (2096.2))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A mente evolucion\u00e1ria \u00e9 capaz de descobrir a lei, a moral e a \u00e9tica; mas o esp\u00edrito outorgado, o Ajustador residente, revela, \u00e0 mente humana em evolu\u00e7\u00e3o, o provedor da lei, o Pai-fonte de tudo o que \u00e9 verdadeiro, belo e bom; e um homem, assim iluminado, tem uma religi\u00e3o e est\u00e1 espiritualmente equipado para come\u00e7ar a longa e aventurosa busca de Deus.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_27\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.27 (2096.3))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A moralidade n\u00e3o \u00e9 necessariamente espiritual; ela pode ser pura e integralmente humana; se bem que a verdadeira religi\u00e3o acentue todos os valores morais, tornando-os mais significativos. A moralidade sem religi\u00e3o n\u00e3o consegue revelar a bondade \u00faltima, e tamb\u00e9m n\u00e3o consegue assegurar a sobreviv\u00eancia; nem a dos seus pr\u00f3prios valores morais. A religi\u00e3o assegura a eleva\u00e7\u00e3o, a glorifica\u00e7\u00e3o e a sobreviv\u00eancia de tudo o que a moralidade reconhece e aprova.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_28\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.28 (2096.4))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A religi\u00e3o est\u00e1 acima da ci\u00eancia, da arte, da filosofia, da \u00e9tica e da moral, mas sem ser independente delas. E est\u00e3o, todas estas, indissoluvelmente inter- relacionadas na experi\u00eancia humana, pessoal e social. A religi\u00e3o \u00e9 a suprema experi\u00eancia do homem, enquanto ele permanece na sua natureza mortal; mas a linguagem finita torna, para sempre, imposs\u00edvel \u00e0 teologia retratar adequadamente a experi\u00eancia religiosa verdadeira.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_29\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.29 (2096.5))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;O discernimento religioso possui o poder de transformar a derrota em desejos mais elevados e em novas determina\u00e7\u00f5es. O amor \u00e9 a mais elevada motiva\u00e7\u00e3o que o homem pode utilizar na sua ascens\u00e3o no universo. Mas o amor, despojado da verdade, da beleza e da bondade, \u00e9 um sentimento apenas, uma distor\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, uma ilus\u00e3o ps\u00edquica, um engano espiritual. O amor deve ser sempre redefinido em n\u00edveis sucessivos de progress\u00e3o moroncial e de progress\u00e3o espiritual.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_30\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.30 (2096.6))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A arte resulta da tentativa do homem de escapar da falta de beleza no seu meio ambiente material; \u00e9 um gesto na dire\u00e7\u00e3o do n\u00edvel moroncial. A ci\u00eancia \u00e9 o esfor\u00e7o do homem para resolver os enigmas aparentes do universo material. A filosofia \u00e9 uma tentativa do homem de unificar a experi\u00eancia humana. A religi\u00e3o \u00e9 o gesto supremo do homem, o seu magn\u00edfico movimento, na tentativa de alcan\u00e7ar a realidade final, na sua determina\u00e7\u00e3o de encontrar Deus e de ser como Ele.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_31\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.31 (2096.7))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;No dom\u00ednio da experi\u00eancia religiosa, a possibilidade espiritual \u00e9 uma realidade potencial. O impulso espiritual que leva o homem a avan\u00e7ar n\u00e3o \u00e9 uma ilus\u00e3o ps\u00edquica. Pode ser que nem toda a fantasia do homem sobre o universo seja um fato, mas muito nela \u00e9 verdadeiro.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_32\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.32 (2096.8))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A vida de alguns homens \u00e9 grande e demasiadamente nobre para se abaixar ao n\u00edvel de um sucesso conquistado. O animal deve adaptar-se ao meio ambiente, mas o homem religioso transcende o seu ambiente e, desse modo, escapa das limita\u00e7\u00f5es do mundo material presente, por meio desse discernimento do amor divino. Esse conceito de amor gera, na alma do homem, aquele esfor\u00e7o supra-animal para encontrar a verdade, a beleza e a bondade; e quando as encontra, ele \u00e9 glorificado no abra\u00e7o delas; e \u00e9 consumido pelo desejo de viv\u00ea-las e cumpri-las segundo a retid\u00e3o.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_33\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.33 (2097.1))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;N\u00e3o vos desencorajeis; a evolu\u00e7\u00e3o humana ainda est\u00e1 em progresso, e a revela\u00e7\u00e3o de Deus ao mundo, em Jesus e atrav\u00e9s de Jesus, n\u00e3o deixar\u00e1 de acontecer.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_34\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.34 (2097.2))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;O grande desafio ao homem moderno \u00e9 realizar uma comunica\u00e7\u00e3o melhor com o Monitor divino que reside dentro da mente humana. A maior aventura do homem na carne consiste no esfor\u00e7o, bem equilibrado e sadio, de ultrapassar as fronteiras da autoconsci\u00eancia penetrando nos dom\u00ednios imprecisos da consci\u00eancia embrion\u00e1ria da alma, em um esfor\u00e7o, de todo o seu cora\u00e7\u00e3o, para alcan\u00e7ar a regi\u00e3o fronteiri\u00e7a da consci\u00eancia do esp\u00edrito \u2014 esse, o contato com a divina presen\u00e7a. Essa experi\u00eancia constitui a consci\u00eancia de Deus, uma experi\u00eancia que confirma, de um modo poderoso, a verdade preexistente da experi\u00eancia religiosa de conhecer a Deus. Uma consci\u00eancia tal, do esp\u00edrito, \u00e9 equivalente ao conhecimento da factualidade da filia\u00e7\u00e3o a Deus. De qualquer outro modo, a certeza da filia\u00e7\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia de f\u00e9.<\/p>\n\n<p id=\"U196_3_35\"><span class=\"btn\"><small><b>196:3.35 (2097.3))<\/b><\/small><\/span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;E a consci\u00eancia de Deus \u00e9 equivalente \u00e0 integra\u00e7\u00e3o do eu com o universo, nos seus n\u00edveis mais elevados de realidade espiritual. Apenas o conte\u00fado espiritual, de qualquer valor, \u00e9 imperec\u00edvel. Aquilo que \u00e9 mesmo verdadeiro, belo e bom n\u00e3o pode perecer, pois, na experi\u00eancia humana. Se o homem escolher a n\u00e3o-sobreviv\u00eancia, ent\u00e3o o Ajustador sobrevivente conservar\u00e1, consigo, aquelas realidades nascidas do amor e nutridas pelo servi\u00e7o. E todas essas coisas s\u00e3o uma parte do Pai Universal. O Pai \u00e9 amor vivo, e a vida do Pai est\u00e1 nos seus Filhos. E o esp\u00edrito do Pai est\u00e1 nos filhos dos seus Filhos \u2014 os homens mortais. Quando tudo estiver dito e feito, a id\u00e9ia de um Pai ser\u00e1 ainda o conceito humano mais elevado de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento 196 do Livro de Ur\u00e2ntia A F\u00e9 de Jesus 196:0.1 (2087.1)&nbsp;&nbsp;&nbsp;JESUS possu\u00eda uma f\u00e9 sublime, e de todo o cora\u00e7\u00e3o, em Deus. 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